Home Mapa do Site Contato
Cedipi
Atendimento
de segunda à sexta-feira
das 8h às 18h
sábado das 8h às 15h30
busca:
Home / :: Radar da Mídia / ESTUDO QUE RELACIONA VACI...
:: Radar da Mídia
Estudo que relaciona vacina ao autismo quebou regras de pesquisa, dizem pesquisadores

Um painel regulatório do Reino Unido sentenciou que o médico britânico que liderou um estudo sugerindo uma relação entre a vacina contra sarampo/caxumba/rubéola (MMR) e o autismo agiu “desonesta e irresponsavelmente”.

O painel representa o General Medical Council (GMC – sigla em inglês para conselho médico geral) do Reino Unido, que regula a profissão médica. Ele apenas estabeleceu se Andrew Wakefield, médico, e dois colaboradores agiram adequadamente na condução da pesquisa, e não se a vacina MMR tem alguma relação com o autismo.

Na sentença, o GMC utilizou uma linguagem forte para condenar os métodos usados por Wakefield na condução do estudo.

No estudo, publicado há 12 anos, Wakefield e colaboradores sugeriram que havia uma ligação entre a vacina MMR e o autismo. Seu estudo incluiu apenas 12 crianças, mas a ampla cobertura da mídia despertou pânico entre os pais. As vacinações decaíram; houve um aumento subsequente nos casos de sarampo no Reino Unido.

Em 2004, 10 dos 13 autores do estudo desmentiram os resultados. O Lancet, que originalmente publicou o trabalho, o retratou após tomar conhecimento de que Wakefield – antes de desenhar o estudo – aceitou pagamento de advogados que estavam processando os fabricantes da vacina por causarem autismo.

Adequação à prática

O painel de adequação à prática do GMC ouviu evidências e argumentos por 148 dias durante dois anos e meio, ouvindo 36 testemunhas. Eles então passaram 45 dias decidindo o desfecho da audiência. Além de Wakefield, dois ex-colaboradores ficaram diante do painel – John Walker-Smith e Simon Murch. Todos eles foram considerados violadores das diretrizes.

A audiência disciplinar considerou que Wakefield demonstrou um “desrespeito insensível” com o sofrimento das crianças e abusou de sua posição de segurança. Ele também “falhou em seus deveres como consultor responsável”.

Ele coletou amostras de crianças que participaram da festa de aniversário de seu filho em troca de dinheiro, e depois foi filmado fazendo piadas sobre isso em uma conferência.

Ele também não revelou ter recebido dinheiro pelo assessoramento de advogados de pais que reclamavam que suas crianças tinham sido prejudicadas pela vacina tripla.

Ainda não terminou

O GMC irá então decidir se Wakefield e seus ex-colaboradores cometeram um grave desvio de conduta profissional. Isso pode levar à cassação do registro médico. Essa decisão ainda pode demorar vários meses.

Wakefield não esteve na audiência, mas fora dos escritórios da GMC ele disse aos repórteres: “naturalmente estou extremamente desapontado pelo desfecho dos processos de hoje. As alegações contra mim e meus colaboradores são infundadas e injustas”. Ele continuou: “eu convido qualquer um a examinar os conteúdos desses processos e chegar a suas próprias conclusões”.

Wakefield foi saudado por um grupo de pais fora da audiência que ainda têm certeza de que ele está certo, embora seus resultados tenham sido amplamente desacreditados.

“Resta-me agradecer aos pais, cujo comprometimento e lealdade tem sido extraordinário”, disse ele. “Eu gostaria de tranquilizá-los que a ciência continuará sendo levada a sério”.

Wakefield hoje trabalha nos Estados Unidos em um centro de autismo chamado Thoughtful House, o qual ele ajudou a fundar. Em uma declaração em seu website o centro alega que está “desapontado” com a decisão do GMC, acreditando que as acusações contra os três médicos eram “infundadas e injustas”.

Na parte do site de “perguntas frequentes”, o centro pergunta: “o Dr. Wakefield foi acusado de qualquer violação da ética médica enquanto trabalhava como diretor executivo da Thoughtful House?”. A resposta é “absolutamente não”.

Segurança da vacina MMR

O governo e especialistas médicos continuam a ressaltar que a vacina MMR é segura. A vacina tripla MMR foi licenciada nos Estados Unidos em 1971 e usada pela primeira vez no Reino Unido em 1988. Mais de 100 países a utilizam, e é estimado que mais de 500 milhões de doses já foram administradas.

No auge do susto da MMR em 2002, houve 1.531 artigos sobre a vacina na imprensa nacional do Reino Unido; em 1998 havia somente 86.

Entre 2001 e 2003, as pesquisas de opinião no Reino Unido evidenciaram que a porcentagem de pessoas acreditando que a vacina MMR era segura caiu de 70% para pouco mais de 50%.

Os números Agência de Proteção à Saúde do Reino Unido mostram que a incidência de sarampo aumentou dramaticamente após a queda do número de crianças vacinadas. O número de casos confirmados entre 2007 e 2008 foi de 2.349, aproximadamente igual à soma total dos últimos onze anos.

Referência: U.K. General Medical Council. General Medical Counsel, "Fitness to Practise Panel Hearing, 28 January 2010." Andrew Wakefield, MD. House of Commons Library Measles and MMR Statistics. Veja a íntegra do document clicando aqui.

Fonte: Medcenter

< voltar
Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 1338 - São Paulo/SP - Fone: (11) 3887-6111 - Fax: (11) 3887-7733
© 2007/2009 cedipi.com.br - Todos os direitos reservados
Powered by SmartSite