Uma nova pesquisa mostra que pacientes jovens com anemia falciforme desenvolvem mais síndrome torácica aguda e outras complicações sérias após uma pandemia de influenza H1N1 do que após a influenza sazonal. “Crianças e adultos jovens com anemia falciforme têm alto risco de doença pulmonar grave resultante da infecção por influenza H1N1 e eles e seus cuidadores devem ser priorizados na vacinação contra o vírus”, afirma John J. Strouse, pesquisador da Johns Hopkins University School of Medicine, em Baltimore.
“Este é o primeiro estudo, de nosso conhecimento, a revisar em detalhes a gravidade da influenza na anemia falciforme utilizando registros médicos (em oposição a dados administrativos)”, explicou ele. Os resultados foram apresentados esta semana no 51º encontro anual da American Society of Hematology, em Nova Orleans.
O estudo compreendeu 99 pacientes com anemia falciforme, com 0 a 21 anos de idade, observados no centro dos pesquisadores de 1993 a 2009. Esses pacientes incluíram 64 com influenza sazonal A, 25 com influenza sazonal B e 10 com influenza H1N1. Os sintomas em pacientes com influenza sazonal e naqueles com influenza pandêmica eram semelhantes, mais comumente tosse (93%), febre (90%) e rinorreia (79%).
Pacientes com influenza pandêmica tiveram mais síndrome torácica aguda do que aqueles com influenza sazonal; 40% vs. 13% (p = 0,049). Além disso, aqueles com influenza pandêmica necessitaram mais de tratamento intensivo (20% vs. 2%, p = 0,05) e suporte ventilatório (20% vs. 0%, p = 0,009).
Em análises multivariadas, uma idade mais avançada (OR 1,2 por ano, p = 0,004) e a influenza pandêmica (OR 11,0, p = 0,025) foram identificadas como fatores de risco para o uso de tratamento intensivo. Visto que os resultados mostram que a vacinação contra H1N1 é um dever em pacientes jovens com anemia falciforme, “ainda não sabemos a melhor forma de alcançar altas taxas de vacinação neste grupo ou como melhor tratá-los quando estão hospitalizados devido à influenza”, diz Strouse.
“Temos um estudo em andamento para avaliar barreiras à vacinação, além da vigilância que já existe para os casos adicionais de influenza”, complementou.
Fonte: Medcenter |