Recomendações atualizadas do Comitê Assessor em Práticas de Imunização (ACIP EUA). MMWR 2007; 56: 1080-4.
Imunoglobulina humana normal (IG) tem sido, tradicionalmente, recomendada para profilaxia após exposição ao vírus de hepatite A (VHA) e, nos EUA e outros países, para pessoas que viajam a regiões de endemicidade considerada alta ou intermediária para o VHA.
A IG, administrada nas primeiras duas semanas após exposição ao VHA tem uma eficácia de 80 – 90% na prevenção de formas clínicas da hepatite A. Recentemente foi publicado um estudo randomizado, duplo-cego, que comparou a eficácia da vacina contra a hepatite A e da IG após exposição ao VHA (N Engl J Med 2007; 357:1685-94).
Participaram do estudo 1090 pessoas, com idades entre dois e 40 anos, comunicantes de casos de hepatite A e comprovadamente suscetíveis à infecção. O estudo comparou a eficácia de uma vacina contra a hepatite A e IG administradas 14 dias ou menos após exposição ao VHA na prevenção de hepatite A sintomática confirmada laboratorialmente.
Houve 25 (4,4%) casos entre os 568 que receberam a vacina, em comparação com 17 (3,3%) entre os 522 que receberam IG (risco relativo: 1,35; intervalo de confiança 95%: 0,70-2,67), o que caracteriza não-inferioridade vacina em relação à IG. A baixa frequência de hepatite clinicamente evidente nos dois grupos indica a elevada eficácia dos dois procedimentos profiláticos.
Embora exista uma longa e bem-sucedida experiência com a IG, o ACIP considera que a utilização de vacina na profilaxia pós-exposição (e pré-exposição de viajantes) oferece várias vantagens, que justificam seu uso preferencial, quando indicado.
A seguir, um sumário das novas recomendações do ACIP:
Profilaxia pós-exposição
Pessoas recentemente expostas ao VHA que não foram imunizados com a vacina contra a hepatite A devem receber uma dose única da vacina monovalente contra a hepatite A ou imunoglobulina (0,02 mL/kg) o mais precocemente possível.
• Para pessoas saudáveis, com idade entre 12 meses e 40 anos, a vacina monovalente contra a hepatite A, adequada para a idade, é preferida.
• Para pessoas com mais de 40 anos, a IG é preferida; pode-se usar a vacina se não for possível conseguir IG.
• IG deve ser usada em crianças com menos de 12 meses, imunocomprometidos, pessoas que têm doença hepática crônica e pessoas para as quais a vacina é contra-indicada.
Viagem internacional
Todas as pessoas não imunes que vão viajar ou trabalhar em países com endemicidade alta ou intermediária para a hepatite A devem ser vacinadas ou receber IG antes da viagem. A vacina contra hepatite A deve ser a preferida. A primeira dose da vacina deve ser administrada assim que a viagem for cogitada.
• Uma dose da vacina monovalente contra a hepatite A, administrada a qualquer momento antes da viagem pode proteger de forma adequada a maioria das pessoas adultas.
• Idosos, imunocomprometidos e pessoas com doença hepática crônica ou outras doenças crônicas que pretendem viajar nas próximas 2 semanas devem receber a dose inicial da vacina e simultaneamente (em outro local anatômico) IG, 0,02 mL/kg.
• Os que optarem por não receber a vacina, ou que têm menos de 12 meses de idade, ou são alérgicos a um componente da vacina devem receber uma dose única de IG (0,02 mL/kg), que confere proteção efetiva por até 3 meses.
O estudo referido nas recomendações do ACIP confirma, com casuística consideravelmente maior, resultados de estudos previamente publicados. A preferência pela vacina, na maior parte das situações em que se cogita de profilaxia pós-exposição, tem agora base ainda mais sólida.
Cabe lembrar que o esquema completo de vacinação contra a hepatite A, que conferirá proteção prolongada, talvez vitalícia, envolve a administração da segunda dose, seis meses a um ano após a dose inicial.