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Câncer de colo de útero, verrugas genitais e o HPV

1. O que é HPV?

HPV é a abreviação em inglês de um vírus chamado “human papillomavirus”. É um vírus muito contagioso, onde a transmissão se dá pelo contato com a pele de um indivíduo contaminado. Pode afetar qualquer área da pele, e também boca, região genital, reto e ânus em ambos os sexos.

Existem mais de 100 tipos sendo a maioria deles pouco agressivos, como os causadores das verrugas comuns em mãos e pés. Para a maioria das pessoas a infecção é assintomática, ou então a lesão aparece mas é deletada do organismo sem nenhuma intervenção médica. No entanto, algumas mulheres não conseguem se livrar do vírus, e sua permanência no colo uterino pode levar a alterações locais que se não detectadas e tratadas poderão evoluir para o câncer.

Cerca de 40 tipos de HPV afetam a região genital humana. Alguns são carcinogênicos (podem provocar o câncer), enquanto outros não (causam apenas lesões proliferativas benignas, que são as verrugas comuns e verrugas genitais).

Aproximadamente 70% dos casos de câncer cervical são causados somente por 2 tipos de HPV: 16 e 18. Cerca de 90% das verrugas genitais são causadas pelos HPV6 e HPV11.

2. O HPV é freqüente?

Cerca de 1 em cada 4 meninas e mulheres com idade entre 14 e 59 anos tem ao menos 1 tipo de HPV. Estima-se que 8 em cada 10 mulheres se contaminarão com 1 ou mais tipos de HPV durante suas vidas.
 
3. O HPV é transmitido?

A transmissão é muito fácil. Normalmente ocorre por contato íntimo pele com pele, da genitália de um parceiro(a) para o outro(a).

Como o HPV é muito freqüente, muitas mulheres se infectam já no início da vida sexual. Quanto maior o número de parceiros, maior será o risco de se adquirir 1 ou mais tipos de HPV durante a vida.

Existe risco de ocorrer transmissão do HPV da mãe gestante infectada para o bebê durante o parto natural (vaginal). Esses bebês podem desenvolver lesões na boca, orofaringe e laringe.

O único meio totalmente seguro contra a aquisição do HPV é a abstinência sexual total. Preservativo (camisinha) oferece algum grau de proteção contra HPV por diminuir a área de contato pele com pele. Deve-se lembrar que seu uso é muito importante para a prevenção contra o HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis.

4. O que é câncer cervical?

É o câncer do colo do útero (região inferior do útero onde se conecta com a vagina). O câncer cervical não é hereditário. É causado por certos tipos de HPV que não são eliminados pelo organismo, o que ocorre em cerca de 10% das mulheres infectadas. As células anormais que se desenvolvem nessa região se tornam pré-cancerosas e progridem para o câncer se não houver detecção e tratamento durante esse processo.

5. Como se pode prevenir o câncer cervical?

O exame periódico com Papanicolaou é a melhor maneira de prevenção. Esse exame detecta células anormais na região cervical, permitindo o tratamento da lesão inicial muitos anos antes de evoluir para o câncer.

Após 3 anos do início de atividade sexual e com não mais que 21 anos, meninas e mulheres devem fazer exame ginecológico anual e o primeiro teste de rastreamento para o câncer cervical.

O papanicolaou é feito através da coleta de pequena amostra de células de raspado da região cervical e enviada a amostra em lâmina para teste em laboratório. Se o teste for anormal, o médico poderá sugerir a repetição do exame ou indicar a colposcopia (exame do cérvix com lentes de grande aumento).

Outra opção para triagem em mulheres com 30 anos ou mais, é fazer o Papanicolaou e teste para HPV. Se ambos forem normais, não haverá necessidade de repetição por 3 anos, apesar de que deverá manter exame ginecológico anual.

6. O que são verrugas genitais?

São lesões na região genital causadas por alguns tipos de HPV, diferentes dos que causam câncer. Não é doença grave nem fatal, mas pode levar a transtornos variáveis durante a vida.
 
7. Como são as verrugas genitais?

As verrugas podem se manifestar distintamente: podem ser únicas ou múltiplas, aparecerem isoladas ou em grupos. Podem ocorrer na vulva, no períneo (região entre a abertura da vagina e o ânus), no ânus, ao redor da vagina ou no colo uterino.

8. Quanto tempo duram as verrugas genitais?

Depende basicamente da rapidez com que seu sistema imunológico reconhece o HPV e consegue deletá-lo do organismo. É mais rápido quando tratadas pelo médico. No entanto, o tratamento pode durar de semanas até meses.

Quando as verrugas genitais estão presentes, o vírus causador é considerado “ativo”. No entanto, a pessoa pode ser contagiante mesmo sem apresentar as verrugas. Mesmo após tratamento há chances de recorrência porque o HPV pode ainda estar presente nas células vizinhas à lesão retirada.

9. Quando as verrugas genitais aparecem?

Podem aparecer poucas semanas após contato sexual com parceiro infectado, ou demorar até meses após a infecção. Há casos em que demoram anos para surgirem. O resultado desse período tão variável entre a contaminação e o surgimento da lesão é de que não se pode afirmar quando ocorreu a contaminação.

10. Verrugas genitais são sintomáticas?

A maioria das pessoas sintomáticas apresenta apenas lesões verrucosas nos genitais. Ocasionalmente, podem causar coceira e sensação de ardência (burning). Pela aparência pode acarretar transtornos psicológicos como ansiedade ou constrangimento.

Seu médico poderá recomendar alguns dos tratamentos disponíveis:
· Cremes tópicos
· Ácido tricloroacético aplicado na superfície
· Crioterapia: nitrogênio líquido para congelar as verrugas genitais, que posteriormente se soltam da pele.
· Procedimentos médicos para retirada. Esses são feitos sob anestesia para diminuir a dor:
- exérese cirúrgica
- eletrocauterização (corrente elétrica que queima as verrugas)
- laser (luz intensa que destrói as verrugas genitais e é usado quando outros métodos falharam).

11. Lembretes:
- Câncer cervical e verrugas genitais são causadas por diferentes tipos de HPV.
- Como HPV frequentemente é assintomático muitas pessoas não sabem que tem.
- Para a maioria das pessoas, o próprio organismo elimina o vírus. Mas para algumas mulheres que não conseguem deletar o vírus, haverá o risco de desenvolverem câncer cervical.

12. Existe vacina para o HPV?

Há duas vacinas contra o HPV disponíveis no Brasil: a quadrivalente (contra os tipos 6, 11, 16 e 18), produzida pelo laboratório Merck Sharp & Dohme e a bivalente (contra os tipos 16 e 18), produzida pelo laboratório GlaxoSmithKline. Os tipos 16 e 18 são as causas mais importantes do câncer do colo de útero e de outros cânceres genitais, enquanto os tipos 6 e 11 são responsáveis por cerca de 90% das verrugas genitais. As duas vacinas estão licenciadas, no Brasil, no momento, para meninas e mulheres de 9 a 26 anos (MSD) ou 9 a 25 anos (GSK). Uma recomendação habitual é que sejam feitas preferencialmente entre 11 e 12 anos de idade, mais próximo do período provável de início de atividade sexual.

13. Como é a vacina para HPV?

A vacina é composta de proteínas inativas vindas dos 4 tipos mais freqüentes causadores de doença em humanos:
HPV 6 e 11 (causadores de 90% das verrugas genitais) e HPV 16 e 18 (causadores de 70% dos cânceres cervicais).

A vacina não protege contra outros tipos de HPV.

14. Como se faz a prevenção com essa vacina?

O esquema recomendado é de 3 doses intramusculares, aplicadas no braço. O intervalo entre a 1ª e 2ª dose é de 2 meses, e a 3ª dose é aplicada 6 meses após a 1ª (Esquema 0, 2, 6 meses).

A vacina é especialmente eficiente em mulheres que ainda não foram expostas ao vírus; por isso se recomenda a vacinação das meninas antes do início da vida sexual. (Os EUA já iniciou a vacinação de todas as meninas com 11-12 anos de idade considerando como grupo alvo onde se espera o maior potencial benéfico). A vacina oferece proteção por pelo menos 5,5 anos, e estudos de acompanhamento a longo prazo estão sendo feitos para se determinar a necessidade ou não de dose(s) de reforço(s). Deve-se salientar que mesmo em vacinadas, persiste a necessidade de continuar exames periódicos com Papanicolaou, já que a vacina não oferece proteção para todos os tipos de câncer cervical.

15. A vacina é segura?

Sim. O efeito colateral mais freqüente relatado pelas mais de 20.000 mulheres que participaram dos estudos foi dor local, inchaço, endurecimento no braço ao redor do local de aplicação. Algumas mulheres tiveram queixa de dor de cabeça. Raramente houve febre após alguma das doses da vacina. As mulheres que apresentaram evento adverso consideraram como leve ou moderado. Não houve nenhum relato de algum evento grave em nenhuma participante durante todos esses 5 anos de seguimento.


 

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