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Calendário vacinal da CEDIPI e as vacinas combinadas

O calendário vacinal proposto pela CEDIPI é apenas uma SUGESTÃO, visando organizar a imunização básica da criança, levando-se em conta dados epidemiológicos e disponibilidade de novas vacinas, sem deixar de se preocupar com o número de picadas para a criança e as “viagens” da família ao local de vacinação.

Existe uma grande flexibilidade possível podendo-se aumentar o número de vacinas aplicadas numa mesma visita ou mesmo espaçar mais a vacinação, de acordo com a orientação do pediatra e preferência da família.

As situações especiais de adiantamento ou contra-indicação devem sempre ser analisadas individualmente, a critério médico. Esquemas alternativos são utilizados circunstancialmente, de acordo com necessidades individuais e/ou coletivas. Mudanças no calendário são dinâmicas e frequentes, sempre de acordo com as necessidades de cada comunidade e com a disponibilidade de novos produtos.
 
Vacinas combinadas
As vacinas combinadas são produtos que, numa única apresentação, contêm antígenos capazes de estimular a resposta imunológica contra mais de um agente infeccioso. A maioria das vacinas combinadas traz, no mesmo volume, um número maior de antígenos, trazendo benefícios como: facilidade de administração, os fatos de não aumentar o número de injeções para a criança (com as novas vacinas disponíveis) e não aumentar o número de “viagens” da família ao local de vacinação, além da redução de custos.

Ao contrário do que foi motivo de preocupação inicial, há evidências científicas de que o sistema imunológico é capaz de reagir adequadamente aos diversos antígenos administrados num mesmo momento. A experiência com as vacinas combinadas comprovou não haver aumento na incidência ou gravidade das eventuais reações adversas.

Algumas vacinas combinadas disponíveis na CEDIPI:

“HEXAVALENTE”  Vacina combinada com seis componentes: hepatite B, tríplice bacteriana acelular, hemófilos do tipo b, e poliomielite com vírus inativados. Além de apresentar eficácia e segurança, tem a vantagem de aplicação em uma única injeção sem induzir a eventos adversos com maior frequência ou intensidade do que se verifica quando seus componentes são aplicados isoladamente ou em associações tradicionais.

“PENTAVALENTE” Vacina combinada com cinco componentes: tríplice bacteriana acelular, hemófilos do tipo b e poliomielite com vírus inativados. Apresenta as mesmas vantagens que a vacina hexavalente, e deve ser usada quando não se pretende incluir na administração a vacina contra a hepatite B.

“SALK/ DTPa”  Vacina combinada com quatro componentes: tríplice bacteriana acelular e poliomielite com vírus inativados. É usada no reforço de 4-5 anos, quando já não é mais necessária a vacinação contra o hemófilos do tipo b. Uma das preparações está licenciada para uso em crianças até 13 anos. Isso representa grande vantagem para aquelas crianças acima de 7 anos que, porventura, tenham perdido o reforço de pólio e tríplice aos 4-5 anos.

“HEPATITE A/B” Vacina combinada contra hepatite A e B. Pode ser usada a partir de 1 ano de idade em todos os indivíduos virgens de contato com os vírus da hepatite A e B, e que não foram vacinados.

COMENTÁRIOS:

1. Apesar de a eficácia ser semelhante, o uso da vacina tríplice bacteriana acelular (DTPa) é preferível ao da vacina tríplice bacteriana de células inteiras (DTP), pois é uma vacina mais purificada que induz a eventos adversos com frequência e intensidade muito menores do que os induzidos pela DTP.

2. Sugere-se começar o esquema de vacinação com a vacina antipneumocócica conjugada heptavalente o mais precocemente possível (aos dois meses de vida). Se não for desejável aplicar no mesmo dia em que a vacina hexavalente, pode-se aplicá-la com qualquer intervalo, não sendo necessário esperar 1 mês. Quando a aplicação desta vacina não for iniciada aos dois meses de vida, o esquema de administração varia conforme a idade do início:
-  Entre 7 e 11 meses: 2 doses com intervalo de 2 meses e reforço  
-  Entre 12 e 15 meses, com intervalo mínimo de 2 meses entre as doses
-  Entre 12 e 23 meses: 2 doses com intervalo de 2 meses
-  A partir de 24 meses: dose única

3. A vacina antimeningocócica C conjugada pode ser aplicada a partir dos 2 meses de idade, simultaneamente ou com qualquer intervalo com as demais vacinas recomendadas para a idade (hexa, penta, rotavírus, hepatite b). Pela grande frequência com que a doença ocorre no primeiro ano de vida, pode ser feita a partir dos 2 meses de idade, sendo necessárias duas doses com intervalo de 2 meses, com 1 reforço no segundo ano de vida. Se a criança for vacinada após 12 meses de vida, a vacinação será em dose única.

4. Existem duas vacinas diferentes contra rotavírus, fabricadas pelos laboratórios Glaxo SmithKline (Rotarix®) e Merck Sharp & Dhome (Rotateq®). As datas-limite para as quais estão licenciadas devem ser respeitadas.
Rotarix® 
- 1ª dose  entre 6 e 14 semanas de vida
- 2ª dose  entre 14 e 24 semanas de vida

Rotateq®      
- 1ª dose entre 6 e 14 semanas de vida
- 2ª dose dois meses após a primeira
- 3ª dose dois meses após a segunda
As três doses devem ser aplicadas até a idade de 8 meses e 0 dias.

* Para ambas, o intervalo mínimo entre as doses é de 30 dias. Podem ser aplicadas simultaneamente com a vacina oral contra a poliomielite (Sabin).

5. A vacina contra influenza (gripe) pode ser aplicada para crianças a partir dos 6 meses de vida. Na primeira vacinação são necessárias duas doses com intervalo de 1 mês, respeitando-se a dosagem de acordo com a faixa etária: dosagem pediátrica até 35 meses e dosagem adulta a partir dos 3 anos de idade. A partir do segundo ano de vacinação, é feita em dose única anual, de preferência no início do outono.

6. A vacina quadrivalente contra o HPV (contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do papilomavírus) já está licenciada no Brasil. É aplicada em esquema de três doses, com intervalos de dois meses entre a primeira e a segunda, e de quatro meses entre a segunda e terceira.
No momento, a vacina está aprovada para meninas e mulheres entre 9 e 26 anos de idade; porém, a recomendação é de que seja feita preferencialmente entre 11 e 12 anos de idade, mais próximo do período provável de início de atividade sexual e quando a resposta imunitária é mais elevada. A vacina bivalente contra os HPV tipos 16 e 18,acaba de ser aprovada pela ANVISA, e deverá estar disponível em nosso meio brevemente.
 

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